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GastronomiaChocolate catarinense premiado é reconhecido nacionalmente

Chocolate catarinense premiado é reconhecido nacionalmente

Como filósofo e administrador, amigos de infância produziram chocolate catarinense premiado no Bean to Bar Brasil 2025

Chocolate catarinense premiado é feito com máquinas inventadas por produtores. – Foto: Invento ChocolatesChocolate catarinense premiado é feito com máquinas inventadas por produtores. – Foto: Invento Chocolates

As barras de chocolate criadas por Filipe Carniel e o amigo de infância, Guilherme Bortoli, renderam à Invento Chocolates, de Florianópolis, o segundo ouro no Prêmio Bean to Bar 2025, uma das principais premiações do setor no país.

“Na teoria, fazer chocolate é simples, é pegar, secar, moer e moldar. Mas existem muitos detalhes que vão repercutir no sabor final”, diz Filipe, que junto com Guilherme decidiu se aventurar em um universo distante de sua profissão.

Filipe e Guilherme visitam plantações de cacau para escolher os frutos. – Foto: Invento ChocolatesFilipe e Guilherme visitam plantações de cacau para escolher os frutos. – Foto: Invento Chocolates

Chocolate catarinense premiado é feito por amigos de infância

Administrador e filósofo de formação, os dois decidiram começar e estudar chocolate por simples curiosidade: “Sempre gostei de chocolate, mas queria entender como ele era feito de verdade”, relata Filipe, natural de Caxias do Sul (RS). Foi assim que, em 2011, começou a buscar na internet como produzir de forma amadora.

Logo depois, ganhou um moinho de pedra pequeno, trazido dos Estados Unidos pelo seu pai, após uma viagem. A partir daí, o interesse em fazer chocolate aumentou cada vez mais e Filipe decidiu fazer curso de chocolateria na Itália, em 2014.

Cacau utilizado na produção é acompanhado desde o plantio da semente até colheita e transporte. – Foto: Canva/NDCacau utilizado na produção é acompanhado desde o plantio da semente até colheita e transporte. – Foto: Canva/ND

O caminho o levou a encontrar de novo seu amigo de longa data, Guilherme. “A gente era amigo de infância, jogava bola junto, cada um foi viver a vida, e depois nos reencontramos”, conta Filipe.

Os dois decidiram abrir juntos uma gelateria em Florianópolis em 2015, a Mu Gelato. Hoje, existem quatro unidades da gelateria na capital catarinense. Foi através da gelateria que, em 2019, o interesse pela produção de chocolate reacendeu.

A dupla desenvolveu uma máquina de moer pistache, usada para a produção do gelato. “Percebemos que essa máquina também poderia ser usada para moer cacau, e voltamos a sonhar em produzir sozinhos”, conta Filipe.

Máquinas para produção de chocolate foram criadas pela dupla

Como o maquinário usado na indústria do chocolate é feito para grandes produções, os amigos resolveram criar seu próprio maquinário. Inspirados no moinho de pedra, presente de seu pai, Filipe e Guilherme construíram dois grandes moedores, com pedras de granito, que são capazes de moer até 18 kg de cacau por vez.

Dupla de amigos construiu moedores de cacau e forno para torra de amêndoa. – Foto: Invento ChocolatesDupla de amigos construiu moedores de cacau e forno para torra de amêndoa. – Foto: Invento Chocolates

Por isso, levam quase dois duas moendo cacau para produzir o chocolate. Filipe ressalta a diferença de tempo da produção artesanal para a da indústria, que nessa etapa do processo é praticamente instantânea: “Mas faz toda a diferença para o sabor do cacau”.

Também criaram um forno para torrar o cacau, produzido em parceria com um amigo torneiro. Os amigos instalaram um software na máquina, que é capaz de controlar minuciosamente a torra. “Esse foi um trunfo da produção. Torramos o cacau de uma forma que praticamente ninguém faz”, conta.

Foram essas invenções que inspiraram o nome da marca: Invento Chocolates

Chocolate é feito com cacau de pequenos produtores

Filipe conta que o cacau vem de pequenos produtores que participam ativamente do processo de produção do chocolate. A dupla visitou diversas plantações de cacau pelo Brasil, passando pela Bahia e pelo Pará, de onde escolhem a matéria-prima de seu chocolate.

Dupla de amigos construiu moedores de cacau e forno para torra de amêndoa. – Foto: Invento ChocolatesDupla de amigos construiu moedores de cacau e forno para torra de amêndoa. – Foto: Invento Chocolates

O processo da fermentação da polpa é o que define o cacau fino do normal, explica, e faz com que aproximadamente 10% de toda a produção do fruto seja fino, mas não utilizado pelos produtores.

Ele ressalta também a diferença da genética entre as amêndoas, o que os levou a utilizar cacau selvagem, que nasce no Rio Tocantins e é colhido e vendido à dupla pela população ribeirinha da região.

Segundo Filipe, o segredo do chocolate premiado é a dedicação. “Não só dedicação nossa, mas também a dedicação do agricultor, que faz um processo seguro, controlado, para não pegar cheiro, contaminação. Tudo tem que estar muito bem alinhado para chegar num resultado excelente no final”, ressalta.

Chocolate é feito com cacau de pequenos produtores no Norte do Brasil. – Foto: Invento ChocolatesChocolate é feito com cacau de pequenos produtores no Norte do Brasil. – Foto: Invento Chocolates

Prêmio Bean to Bar 2025

No  Prêmio Bean to Bar deste ano, o chocolate ao leite 45% cacau levou o ouro. Já o bronze ficou com as barras de chocolate intenso 70%, feitas a partir do cacau do Sítio Ascurra e também de produtores do Tuerê, ambos no Pará.

Mais de 100 barras de todo o país estavam inscritas na premiação. Os jurados consideram critérios como textura, equilíbrio, originalidade e fidelidade ao cacau de origem.

Fonte: ndmais.com.br

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